Epifanias (Carol Rocha)
Metade de mim é você,
E outra parte eu nem sei,
Se é algo tão certo de ser,
Por que nada mais eu te dei?
Talvez por falta aviso eu surtei,
Talvez por falta de juízo, amei,
Ou por falta de alguém, eu tentei
Criar amor onde nem ódio estanquei
Se alguém souber o porque,
Por favor, me explique e talvez,
Epifanias do óbvio eu terei,
Já que nem mesmo gostar eu tentei
Metade de mim é você,
E outra parte eu nem sei,
Se é algo tão certo de ser,
Por que nada mais eu te dei?
Proclama a razão de ser,
Que eu daria amor a quem quer me ter,
E não gastaria tanto prazer
com quem nem ao menos quer me ver
Quero que saiba também,
Sou sempre inconstante,
Mas de você sou confessa refém,
Tal qual meu semblante,
Amante,
Irritante,
Constante,
Sou farsante
A mesma que diz sorridente,
‘Dessa vez vai ser diferente‘,
Acaba por fim se rendendo,
quase que no mesmo instante.
Metade de mim é você,
E outra parte eu nem sei,
Se é algo tão certo de ser,
Por que nada mais eu te dei?
E a culpa dessa paixão de sanatório,
É de um coração já sem vida,
Que não responde mais por seus atos,
E nem quer mais outros abraços
Preste atenção, e se detenha
A amar um pedaço de linho
Ou mesmo aquele cachorrinho,
Que no seu portão apareceu
Tome cuidado, amigo,
Pois uma vez amarrado,
Não há como desfazer o nó.
Mas só se prende ao aviso quem pensa,
Que no amor não há recompensa,
Nem momentos inesquecíveis,
Os duradouros e feitos para guardar
Só se priva da luz quem não conhece,
Quem não quer sentir, e se padece
Da magia incomparável,
Luz amável, luz que não se esquece.
(29.04.2011)
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